Iara Rennó é um corpo em alta voltagem. Vai do acústico ao eletrônico, do experimental à canção, em uma produção musical intensa e diversa que não pode ser resumida a um só estilo ou a uma única voz. É na pluralidade que Iara afirma sua singularidade. Cria e apresenta projetos multilinguagens que abrangem poesia, música, cinema, videoarte, literatura, teatro, dança, onde versa sobre a conquista da liberdade feminina, onde reverencia culturas de povos originários e saberes afrodiaspóricos, pela desconstrução das referências coloniais.

 

Nascida em uma família de artistas - a família Espíndola - Iara começou a cantar ao lado de sua mãe, Alzira E, e foi vocalista na banda do grande mestre Itamar Assumpção por três anos. Artista de expansão perene, é cantora, instrumentista, produtora, performer, atriz, poeta, produtora e diretora musical. Compositora prolífica, tem mais de 100 músicas gravadas por grandes nomes da música brasileira como Elza Soares, Ney Matogrosso, Gaby Amarantos, Jaloo, Ava Rocha, Virgínia Rodrigues e Lia de Itamaracá. Trabalhou em colaboração com artistas internacionais como Quantic, Anita Tijoux, Projeto Compass, entre outros.

 

Em 2021 estreou no audiovisual com “Transflorestar – Ato I” na 19a Festa Literária Internacional de Paraty. Obra híbrida com direção, roteiro e atuação de Iara Rennó, montagem e videoarte de Mary Gatis, direção de arte de Alma Negrot e participações de Curumin e Ed Trombone, Transflorestar revê o mundo através da floresta enquanto promove diálogos entre música, poesia, artes visuais e corpo, propondo a subversão do antro-falo-eurocentrismo e da supremacia do pensamento cartesiano sobre o sentir. Nas parcerias com Thalma de Freitas, Ava Rocha, Tetê Espíndola e Alzira E., mas também na inspiração buscada nos relatos de Davi Kopenawa e nas falas de Ailton Krenak, em fragmentos de textos de Eduardo Viveiros de Castro e nos ecos de Makunaimã em Macunaíma, o filme incorpora a possibilidade de um “(M)otherworld”, legado da filósofa burquinabesa Sobonfu Somé, e a perspectiva de Lélia Gonzalez para a “Améfrica”. Tudo se passa num universo onírico habitado por Xapiri e Orisá, no qual as raízes da Yãkõana e do Iroko encontram-se sob o Oceano Atlântico.